Transplantes batem recorde no Brasil em 2024, mas número de doadores preocupa

País supera 30 mil procedimentos em um ano, mas ainda tem 78 mil pessoas na fila de espera por um órgão

O Brasil bateu um recorde histórico em 2024: mais de 30 mil transplantes de órgãos e tecidos foram realizados no país, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Esse é o maior número já registrado desde o início da série histórica. No entanto, mesmo com esse avanço, a fila de espera ainda ultrapassa 78 mil pessoas, com destaque para os pacientes que aguardam transplante de rim, que somam mais de 42 mil.

A maioria dos procedimentos — cerca de 85% — foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que investiu R$ 1,47 bilhão em 2024, um aumento de 28% em relação a 2022.

Avanços e novos procedimentos no SUS

Durante a apresentação dos dados, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou novas tecnologias e procedimentos que serão incorporados ao SUS, incluindo:

Transplante de membrana amniótica para tratamento de queimaduras;

Transplantes de intestino delgado e multivisceral, voltados para pacientes com falência intestinal irreversível.


Essas medidas visam aumentar o acesso a transplantes em regiões menos atendidas e reduzir desigualdades regionais.

Os órgãos mais transplantados em 2024

Córnea: 17.107 procedimentos

Rim: 6.320

Medula óssea: 3.743

Fígado: 2.454


Apesar dos avanços, o número de doadores não acompanhou o ritmo. Houve queda na doação de órgãos, principalmente por recusa familiar. Apenas 55% das famílias entrevistadas aceitaram a doação de órgãos de seus entes falecidos.

Nova estratégia para aumentar doações

Para combater a recusa, o Ministério da Saúde lançará o Programa de Qualidade em Doação para Transplante (PRODOT). A proposta é qualificar e monitorar as equipes responsáveis por abordar as famílias em momentos de luto, em parceria com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).

Além disso, o governo vai expandir o uso da prova cruzada virtual, exame que avalia a compatibilidade entre doador e receptor sem a necessidade de deslocamento. Hoje, essa tecnologia está disponível em apenas quatro estados (SP, RS, PI e PE), mas a intenção é nacionalizar o acesso.

Investimentos em pesquisa: xenotransplante no radar

O Brasil também está iniciando um projeto de pesquisa sobre xenotransplantes, que são transplantes de órgãos de animais para humanos. A ideia é usar órgãos de suínos geneticamente modificados — uma tecnologia ainda em fase experimental, mas com grande potencial para o futuro da medicina.

Reajustes financeiros importantes

Haverá reajuste nos valores pagos pelo SUS para exames e insumos usados no processo de transplante. Destaques:

Líquidos de preservação de órgãos terão aumento de 81%;

Exames como ecocardiograma e HLA (que mede compatibilidade imunológica) também receberão atualização nos valores.





Curiosidades: a história dos transplantes

Quando foi realizado o primeiro transplante do mundo?

O primeiro transplante de órgão bem-sucedido ocorreu em 1954, nos Estados Unidos. Foi um transplante de rim entre gêmeos idênticos, realizado pelo médico Joseph Murray, que mais tarde recebeu o Prêmio Nobel de Medicina.

E no Brasil?

O primeiro transplante de órgão no Brasil foi feito em 1964, também de rim. Desde então, o país se tornou referência mundial em transplantes públicos, graças à estrutura do SUS.

Outros fatos interessantes:

O maior órgão transplantado do corpo humano é o fígado.

O menor é a córnea, que também é o mais transplantado no Brasil.

Alguns pacientes aguardam na fila por anos, especialmente por rins e pulmões.

Um único doador pode salvar até 8 vidas, com órgãos como coração, fígado, rins, pulmões, intestino e pâncreas.





Conclusão:
O recorde de transplantes é uma vitória da medicina brasileira, mas a batalha ainda continua. Com milhares de pessoas esperando por um órgão, a conscientização sobre a doação precisa crescer. Converse com sua família sobre o desejo de ser doador. Sua escolha pode salvar vidas.




Gostou do conteúdo?
Compartilhe este artigo e ajude a espalhar informação sobre a importância da doação de órgãos. Tem dúvidas ou quer saber mais? Comente abaixo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima